14/06/23

Como evitar a contaminação cruzada no consultório odontológico

Biossegurança é um tópico crucial em qualquer consultório odontológico. Para dentistas e radiologistas, é só tomando todo o cuidado com ela que é possível evitar a contaminação cruzada no seu espaço.

A contaminação ou infecção cruzada é um assunto recorrente no meio odontológico, principalmente depois da COVID-19. Ela pode ocorrer de diferentes formas, desde um instrumento não esterilizado corretamente até os EPIs.

Porém, ela é bem possível de evitar. Prosseguindo com a leitura do artigo, você entenderá melhor como ocorre a contaminação cruzada direta e indireta e como evitá-la na sua clínica odontológica!


Antes de tudo, o que é a contaminação cruzada?

“Tão recorrente na indústria alimentícia, a contaminação cruzada também pode ser vista na odontologia.”

A contaminação cruzada nada mais é do que a transferência de microrganismos de um paciente para o outro, causando então uma infecção. Ela também pode ocorrer entre a equipe da clínica odontológica e o paciente.

Nessa situação, a bactéria ou outro microorganismo passa de uma superfície para a outra. Existem 3 agentes contaminantes que geram isso, que são:

  • Contaminante físico: os agentes são visíveis ao olho nu (cabelos, pedaços de insetos)
  • Contaminante químico: a presença de substâncias químicas inadequadas no consultório odontológico
  • Contaminante biológico: microrganismos como vírus, bactérias e até fungos


Como pode ocorrer a contaminação cruzada?

Existe a contaminação cruzada direta e indireta, que depende da forma como ocorre o transporte do microorganismo:

  • Contaminação cruzada direta: quando a contaminação ocorre diretamente entre a equipe do consultório e o paciente
  • Contaminação cruzada indireta: quando os instrumentos são contaminados por outros pacientes e não é feita a correta esterilização


Quais são as principais vias de contaminação cruzada no consultório odontológico?

Falando em indireta e direta, a contaminação cruzada dentro da odontologia pode ocorrer através de duas principais formas:

  • Por fontes humanas: uma pessoa (paciente) hospeda o microorganismo, que será espalhado
  • Por fonte ambiental: instrumentos não esterilizados, equipamentos não desinfetados, poeira, etc

Dessa forma, a infecção cruzada pode ocorrer de diferentes maneiras, o que reforça a necessidade da melhor biossegurança. Ela pode surgir através de instrumentos não esterilizados até equipamentos de proteção individual (EPIs).


Quais são os principais riscos de contaminação cruzada?

Os riscos de contaminação cruzada são separados por classes, sendo:

  • Classe de risco 1: baixo risco individual e para a comunidade. Agentes biológicos conhecidos por não causarem doenças em seres humanos
  • Classe de risco 2: moderado risco individual e risco limitado para a comunidade. Provocam infecções individuais, mas possuem baixo potencial de propagação e disseminação
  • Classe de risco 3: alto risco individual e moderado risco para a comunidade. Causam doenças potencialmente letais em humanos e possuem capacidade de transmissão, principalmente por via respiratória
  • Classe de risco 4: alto risco individual e para a comunidade. Apresentam grande potencial de transmissibilidade e causam doenças de alta gravidade


Como evitar a contaminação cruzada na sua clínica odontológica?

Assim como existem diferentes formas de contaminação, também existem diferentes maneiras de evitá-la. Para lhe ajudar, trouxemos algumas das maneiras mais imprescindíveis para serviços odontológicos mais seguros!


Para começar, tenha uma equipe bem de saúde

O primeiro passo para serviços odontológicos mais seguros é ter uma equipe com a saúde em dia. Desde o dentista até a recepcionista, é importante que todos realizem exames periodicamente.

Além disso, precisam ter o esquema vacinal completo, diminuindo assim o próprio risco de desenvolverem doenças graves. Se protegendo, você protege o paciente!


Use dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para não ter contato direto com matéria orgânica

Dentistas, auxiliares e técnicos têm contato constante com fluídos como saliva e sangue - e isso é uma porta direta para contaminações cruzadas. Por essa razão que é importante adotar barreiras protetoras no contato com os materiais

E aí entram os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), que evitam o contato direto com sangue e outras secreções do corpo. Os principais EPIs que deve garantir são:

  • Jaleco ou avental
  • Máscaras descartáveis
  • Luvas descartáveis
  • Protetores oculares
  • Gorro
  • Sapatos fechados


Realize o descarte dos materiais corretamente

Falando em máscaras e luvas descartáveis, é importante comentar sobre o descarte de material. Os materiais e resíduos do consultório podem estar contaminados e oferecem riscos para pacientes, dentistas e toda a equipe.

Para começar, você deve separar esses materiais em 5 grupos de resíduos:

  • Biológicos
  • Químicos
  • Radioativos
  • Domiciliares
  • Perfurocortantes

Confira quais são os materiais mais usados no consultório para definir as lixeiras que estão presentes. Além disso, é importante que a lixeira tenha uma tampa acionada por pedal, de forma que evite qualquer contato com os materiais.

Por fim, use um saco de lixo especial. Caso não tenha, use um saco normal com uma identificação (rótulos, desenhos, contornos pretos) do tipo de substância presente nele.


Desinfete e cubra as superfícies de trabalho

Todas as superfícies presentes na sala devem ser desinfetadas com álcool 70%, que tem potência para eliminar possíveis agentes contaminantes. Você deve limpar o aparelho de raio-X, mesas, cadeiras, o avental, etc.

Após desinfetar, é importante que coloque capas protetoras em cada superfície, garantindo assim dupla proteção.


Esterilize os instrumentos que não são descartáveis

Já os instrumentos de trabalho devem ser esterilizados em vapor sob pressão, podendo ser por autoclave ou exposição com gás óxido de etileno. Itens de plástico devem ser esterilizados com água e sabão.


Proteja filmes e recipientes

Uma última dica para evitar as infecções cruzadas é separar a quantidade de filmes necessários para o procedimento odontológico. Com isso, você garante que não haja a contaminação dos demais materiais.

Ao mesmo tempo, deve garantir que os recipientes sejam isolados no espaço do consultório. Também não devem ser manuseados por luvas contaminadas!


Conclusão

A contaminação cruzada é um assunto sério em qualquer consultório odontológico. Ao seguir as dicas que demos neste artigo, você não garante apenas a segurança de todos, como também a manutenção da sua imagem!


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